Rosa Pires

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Blog de Rosa Pires (conteúdos editoriais)

A recompensa

Nas famílias rurais e semi-urbanas do norte, e talvez um pouco por todo o continente, o “tinto”, fazendo parte das principais refeições, os pais insistiam que os filhos na década entre os anos sessenta e setenta o bebessem em modo de recompensa, pois se por altura da vindima velhos e novos, todos ajudavam, nem que fosse na apanha dos bagos intactos das uvas caídos no chão.
E, dizem eles na actualidade, os dessa geração que beber qualquer bebida que contenha um acentuado nível de álcool antes de completarem os 18 anos, faz mal ao intelecto repercutindo-se nos resultados escolares dos seus pr

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Na Praça Pérola

O ruído vinha de longe. Primeiro como se de um som de mar se tratasse num fim de tarde a esbater-se suave na areia. Depois como um saxofone a soprar com mais força sobre os rochedos. Mais tarde, parecia-se com o rufar dos tambores ao despique nas festas dos santos populares a que se vão juntando aglomerados de gente como formigas, acotovelando-se para ver a banda passar e ninguém percebendo de onde surge tamanha multidão se as ruas no fim de tudo ficam silenciosas de novo não restando indícios que lembrem aqueles rostos voltados todos na mesma direcção. Uns com uma expressão de puro prazer.

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Adágio

Vai gaivota da saudade.

Não chores nesse som de violino

que o amor é tão grande

e o mar de imensidão o acolhe.

Repara que à Alma um manto a cobre

quando nas ondas prisioneiro o levam

e nem sempre na maré o trazem.

Na areia destroços ficam

é nosso coração criança que chora.

E o manto de espuma

é mão que o afaga

na solidão

da nossa Alma destroçada!

Vai gaivota

nesse voo rasgado de encontro ao sol

que tudo é vão e nada fica.

Vai gaivota, vai

e não chores nesse som de violino

nos sulcos profundos da desventura

nessa dor atroz e mo

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Saudades

Não do que fomos,

nem queremos ser

neste mundo de adultos adulterados.

Saudades dos risos perfeitos,

das rosas

e dos pés descalços,

dos meninos soltos e envergonhados.

Mas lá,

onde quase tudo era permitido

e quase tudo se perdoava,

na idade da inocência

a espreitar sorrateira

com olhos de criança,

a mentira

eram histórias,

sonhos,

por vezes

invenções

ainda sem propósito

e aninhados entre os braços

que se abriam ao vento

sem medos

quando éramos pequenos!

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Há vozes em melodia

Há vozes em melodia a emoldurarem-no.

Elevam-se. E agarram-no. Fecha os olhos e deixa que o levem. Só ele não sabe permanecer e viaja… E não há freios que o sustentem!

A floresta é espinhosa e dilacera quem nela ousar entrar…

Contrapondo-se à ilusão que o desejo é vão e os cânticos entontecem a dor adormece e embriaga a emoção.

Mas mesmo que o consiga nada o desviaria da sua opção!

E quando do vento dele se acaricia só na brisa sem grandes rumores para que nem nela se sinta obrigado à recordação vai e deixar-se-ia ir todavia que a tolerância é a companhia e s

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Um ensaio para o esboço de uma história qualquer

Lera algures que a beleza era um pretexto para a loucura.

A beleza está dentro dos nossos próprios olhos que assim a vêm, pensava ela por sua vez…

Ria-se baixinho dentro de si.

Porque havia essa hipótese de existir realmente beleza alheia a cada um que a vê e guardada no mais recôndito da alma de quem assim a quisesse ver e inconfessável a críticas destrutivas por entre a multidão invejosa até das emoções que os olhos transmitem na adoração do objecto desejado.

Ou fora só ela que o olhara…ou tê-la-ia ele visto de soslaio?

Mas sentia que ficava a ganhar…

Vira

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Pediu-me um conselho

Mas que pelo sonho

fiquem beijos,

ternuras de abraços

e pernas entrelaçadas

e o corpo

vá e venha

e o desejo

assim o traga.

Que sinta

e se envolva

e não pense.

Que pensar

é desisitir

e a vida é tão breve

e o amor

é só um sabor!

Que sinta

e se beije no beijo

e o desejo assim o mova.

E se fôr pedir muito,

que pelo menos

a fantasia o extasie

e a ternura a perdoe

e seja motivo

de riso solto

e o encolher de ombros lhe diga:

Que se lixe!

E se soubesse que nos gestos

era fácil subentender

que não era ele o camin

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E se para o merecer

E se para o merecer

o encanto inalterável

que dele se desprende,

eu tenha de suavizar

e ascender

e ficar igual a ele

sem o ser,

que assim seja!

E que o toque

que não desvaira

dos seus dedos

venha acalmar o nervosismo

e a ânsia dos meus

e deixar-me

ficar igual a ele,

quero sê-lo.

E se para isso

necessário

seja ficar quieta,

muda,

e sem o olhar

por mais que o queira,

eu sei ficar!

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Advertência

Não trazia promessas vãs e inesperadas na mala,
ou fundos escondidos com jóias raras.
Traria algum desespero talvez.
A vontade de acender o sol mais ardente
ou da lua lhe piscar o olho à estrela cadente.
Poderia até dissimular novidades,
os cânticos ansiosos e deslumbrantes,
ou alguma originalidade
com um cunho muito pessoal.

E o coração no check-in
a tremer descompassadamente!

Mas nada traria além do seu sabor
ou uma gargalhada talvez irrequieta
ou o nervosismo saltitante da borboleta
que a flor fecundaria a mais fechada
e nada ofereceria à mais aberta.

Pod

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Hoje vai ser assim

Hoje. Vai ser assim. Um dia de olhos ausentes a olhar não sei para onde. Da rebeldia da sua imagem, realidade inesperada em mim. A saber melhor no impacto estupefacto e estranho dos meus olhos cheios dele. De desejos intensos e o tocar-lhe, desejo impossibilitado e a gemer no mais profundo do meu ser.

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