Comunicado sobre o nosso editorial 08

Chegaram-nos ecos de que o nosso editorial na edição 08 foi lido por variadas pessoas como um insulto à figura do reitor da Universidade de Lisboa, entrevistado na revista. Com efeito, temos de reconhecer que a revista Aula Magna deve um pedido de desculpas ao reitor e à universidade.

O título do editorial «O reitor vai preso», tenta captar a atenção do leitor através de um jogo com «o rei vai nu» e fundamenta-se numa suposta multa paga pelo reitor e descrita na entrevista integral na Internet (mas não na edição em papel). Perante uma negação categórica destes factos, recorremos à gravação da entrevista e concluímos que houve uma interpretação errada do que foi dito. Teoricamente, o reitor está sujeito a pagar multas pessoais devido a ilegalidades cometidas, mas não foi o que sucedeu nessa ocasião. É a diferença fonética entre «o reitor apanha uma multa», no sentido de «poderia apanhar», e «o reitor apanhou uma multa». A diferença é tão subtil que dois repórteres na sala ouviram uma coisa e, no entanto, ouvindo a gravação atentamente, o que foi dito foi outra.

A verdade é que António Nóvoa se orgulha, precisamente, de nunca ter cometido qualquer ilegalidade no exercício das suas funções de reitor, mesmo quando as leis empurram os dirigentes do ensino superior para dilemas absurdos entre o cumprimento da lei e o bom governo da instituição. É isso que reforça a sua autoridade para denunciar essas situações a que outros reitores foram injustamente sujeitos.

Para além disso, ao contrário do que é dito no editorial, nunca o reitor defendeu a fusão de todas as instituições de ensino superior de Lisboa. Pelo contrário, afirma expressamente na entrevista que não é isso que defende, mas antes uma reconfiguração das instituições, que precisa de ser pensada e não realizada de uma forma artificial, administrativa ou eliminando a diversidade existente.

Assim, transmitimos duas informações incorrectas. Uma por erro crasso nosso, outra por uma infelicidade fonética que nenhum profissionalismo poderia ter evitado.

Finalmente, é difícil fazer uma revista sobre assuntos sérios numa linguagem e tom interessantes para a esmagadora maioria do nosso público: os estudantes. Os nossos leitores exigem-nos as duas coisas: a seriedade e a leveza. A intenção foi criar um texto apelativo e cativar no editorial para a leitura da entrevista. O resultado foi um tom que pode parecer mais leviano do que leve. Contudo, nunca foi nossa intenção ofender ou menosprezar a universidade ou o seu reitor.

A revista Aula Magna serve todas as instituições de ensino superior, não serve para diminui-las. Cá estaremos sempre na tentativa de um jornalismo isento e sério. O que nos distingue é nem desistirmos e optarmos pelo mais fácil e inócuo, nem deixarmos de dar a mão à palmatória e de tentar fazer melhor depois de falharmos. Acreditamos que é assim que se constrói o melhor jornalismo e é aí que queremos estar sempre.

Embora não haja problemas na entrevista em papel, vale a pena ler a versão integral no nosso sítio.