Uma relação difícil - Entrevista com Diogo Amaral

Este texto pertence à secção de Jornalismo livre, onde qualquer estudante, docente ou funcionário do ensino superior pode publicar novidades, entrevistas e outros textos jornalísticos.
Política e Juventude

Esta entrevista com um estudante do ensino superior visa descobrir a envolvência dos estudantes com a política, e de que forma estes olham para a política actual.

Política, política, política. A política tem porventura hoje, o maior espaço noticioso de toda a História da comunicação social portuguesa, e as recentes eleições comprovam isso mesmo. Existe de facto uma maior sede de conhecimento político por parte dos portugueses, independentemente da contribuição dos órgãos da comunicação social para esse facto. Quer seja a troika e todas as suas decisões socioeconómicas, os impasses e dúvidas de Pedro Passos Coelho na escolha dos Relações Públicas da Troika que irão formar o seu governo, ou o futuro líder do Partido Socialista. Estas notícias irão fazer as manchetes dos jornais durante as próximas semanas, seguramente. A política é tudo e tudo é política. Encontra-se em todo o lado dominando a nossa vida, pelo menos a minha, visto que a próxima greve da CP (mais uma) irá afectar-me novamente. Numa altura em que os mass media se focam apenas em informar, esquecendo o principio básico e regra número um do jornalismo: informar/formar, decidi recorrer a um jovem estudante que se interesse por politica, para tentar compreender de que maneira os jovens olham para a política. É nesta situação que encontro, Diogo Amaral, estudante de 23 anos do mestrado de Ciência Política no ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e coordenador da JS Zona Ocidental de Lisboa.

Diogo, de que maneira vês a envolvência dos estudantes universitários na política?
Não existe de facto, uma grande envolvência dos jovens na política. Tomemos por exemplo o caso do Nes (Núcleo de Estudantes Socialistas) do ISCSP, no qual fui coordenador. Na altura em que foi criado, e até recentemente, era o único núcleo político de toda a faculdade. Além do Nes ISCSP, através de organizações de conferências, debates e jornadas políticas, não existe de grande actividade política numa faculdade de política.

Achas que a faculdade, como espaço de debate intelectual, pode funcionar como um possível meio para aproximar a política e os jovens?
Deveria, mas não é isso que acontece. As faculdades deixam fazer política, mas ainda existe medo de alguns estudantes em se associarem a organizações políticas com receio de represálias de alguns professores, impedindo assim um possível debate de ideias. Só existe um núcleo social forte, que é o nosso, e isso impede claramente o debate de ideias. Penso que seja necessário serem criados vários núcleos, independentemente do partido, porque só na pluralidade poderemos debater as nossas ideologias, contribuindo assim para uma politização do corpo estudantil.

Fala-me agora, e de forma apartidária, do Nes ISCSP e de que forma o Nes ajudou os jovens a participarem em actividades políticas?
O Nes ao longo dos anos tem vindo a desempenhar um papel importantíssimo na consciência social e política dos estudantes universitários. Já foram feitas várias actividades, nomeadamente conferências sobre assuntos que interessam à sociedade e aos jovens. Já fizemos conferências sobre a eutanásia, a legalização da prostituição e sobre os direitos dos animais. É importante referir, que fizemos sempre estas conferências de forma apartidária, de forma a não influenciar ninguém. Estas conferências são muito importantes para esclarecer a população estudantil sobre assuntos da nossa sociedade, e o resultado é positivo visto que estas conferências tiveram sempre a sala cheia, o que demonstra uma grande adesão dos estudantes.

Achas que a actual situação política pode influenciar os estudantes, e as futuras gerações, a entrarem na política?
Independentemente da situação actual do país, os jovens deveriam participar mais activamente em questões sociais e políticas. Nós não somos uma geração à rasca, somos sim, uma geração sem ideias. Deixamos que os políticos tomem as decisões todas e não nos manifestamos. Portugal não é um país pobre, não somos um país de terceiro mundo, portanto temos condições de sair destas crises. Isto deve-se antes a um factor social, nós somos numa sociedade muito permissiva. Temos de defender os nossos direitos, os nossos deveres e mudar a nossa maneira de estar. Os jovens têm de participar nos partidos políticos. A classe política tenta destruir a classe jovem, são contra a mudança, tentando que os jovens participem cada vez menos socialmente e só através da politização da juventude poderemos mudar isso.

Diogo, para finalizar, que conselhos deixas aos estudantes?
Quero começar por dizer, que a política não é um mar de rosas. É uma grande ferramenta, desde que as pessoas a saibam usar. Faço um pedido a todos os estudantes universitários para que se comecem a interessar por política, porque a política não se resume a partidos ou juventudes partidárias, encontra-se em tudo o que fazemos. Peço que, caso isso aconteça, escolhem o vosso partido com base nas vossas bases ideológicas e não se deixem influenciar por ninguém. Deixa-me só dizer que a JS mudou a minha vida para melhor, fiz várias amizades e desenvolvi-me tanto socialmente como intelectualmente.

Comentários

Publicar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
  • É possível usar **negrito**, *itálico*, criar alíneas com a) b), numeração com 1) 2) e outras opções. Para separar os parágrafos é necessário criar uma linha de intervalo (ou iniciar o novo parágrafo com um espaço em branco).
  • É possível inserir imagens.

Mais informação sobre as opções de formatação

CAPTCHA
Este teste serve para impedir a publicação automática de lixo.
1 + 4 =
Introduz o resultado da conta (ex.: se for 1+3, introduz 4).