O Niilismo do Forró de Plástico

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O NIILISMO DO FORRÓ DE PLÁSTICO

Tiago Fernandes Alves

O objetivo deste trabalho é lançar luz nas trevas onde habitam as tristes interrelações dialéticas entre perda de sentido, niilismo negativo e incapacidade crítica da realidade como sendo as formas mais propícias para o surgimento e perpetuação da “cultura de plástico”, práticas culturais engendradas pela artificialidade da indústria massificada e consumista e pela perda de sentido do cotidiano mecanizado e burocratizado em uma liberdade democrática galgada em uma ideologia neoliberal que almeja o desenvolvimento contínuo e infinito da civilização pautado na racionalização das relações sociais. Este trabalho visa estritamente o forró de plástico, com suas harmonias e melodias paupérrimas untadas com letras que satisfazem os mais exigentes propósitos da indústria cultural e da negação da vida.

Introdução O forró de plástico, gênero musical que surge a partir da artificialidade cultural criada pela indústria de massa, nos dá uma boa amostra do grau de alienação, como sendo a carência de si mesmo tornando-se sua própria negação, a qual atingimos graças ao processo de burocratização e racionalização de nossa vida cotidiana, trazendo-nos uma perda de sentido em nossas relações interhumanas. O niilismo negativo espalha-se como um grito salvacionista da mais pura negação da vida, pois se nada pudermos fazer em relação à vida e a sociedade, melhor será que as esqueçamos. O plástico encobriu a música regional de um modo avassalador e quase de maneira definitiva. Matamos e enterramos Luiz Gonzaga e sobre sua tumba defecamos os pormenores de um fazer musical de péssimo gosto, dígno da mais alienada das incapacidades críticas de uma sociedade que, se assim continuar, estará fadada ao fracasso social e individual. Músicas que destroem qualquer boa imagem da mulher (que nesta tradução é compreendida como piriguete) ou do homem (vagabundo), letras de cunho machista que desprezam qualquer tipo de sentimento e de respeito entre homem e mulher, pois “senta que é de menta”, ou “chupa que é de uva”, são letras que fazem apologia ao consumo escessivo de álcool no “beber cair e levantar”, mulheres que ficam em casa esquentando a cama para quando os maridos voltarem do cabaré, são só alguns exemplos da falta de respeito para com o público que, muito pelo contrário, lotam as casas de shows em uma tentativa frenética de escapar, de negar uma realidade funesta e sem sentido, onde o tempo é totalmente consumido pelo trabalho árduo, onde os momentos de lazer se encontram privatizados nos domingões dos faustões, onde os bares e a música que não os façam pensar se tornam o refúgio perfeito de um cotidiano esmagado pela busca incessante por mais e melhor civilização, pelo desenvolvimento econômico e pelo triunfo da democracia.

O Forró de Plástico e a Negação da Vida Existem forças que coagem e sufocam toda a sociedade em um movimento desesperador rumo a uma perda de sentido conduzindo-nos a um abismo infecundo de práticas pejorativas culturais. A perda de sentido trazida pela ultra-racionalização das sociedades modernas, processo este tão bem exposto por Weber, assim como toda uma perda das potencialidades criativas trazidas por um modelo de democracia que enaltece a liberdade em um estupor de se poder dizer qualquer coisa sem nenhum princípio ou cuidados com refinamentos intelectuais, nos trouxe toda uma miséria cultural que aparece nos novos modos de se fazer cultura de massa muito bem representada pelos grupos de forró de plástico, ou seja, grupos que expressam a total fetilidade de um fazer musical basado na manutenção do status quo fortemente incapacitada a formas de expressão crítico-artísticas, fundamentadas em discursos que promovem a usura dos corpos e da despreocupação política e social ademais de fazerem apologia ao consumo abusivo de álcool. Nietzsche expõe uma interessante teoria na qual a liberdade e a igualdade entre os seres humanos, ou seja, a inexistência de luta de classes e de conturbações político-sócio-econômicas deixariam quase que infecundas as potências criativas do fazer artístico. Nietzsche não se propõe enquanto adepto reacionário de Estados totalitários, ou represivos, como formas institucionais de forças que engendram a busca por um fazer cultural mais refinado, no que concerne a sua concepção de que os homens produziram muito e muito melhor em situações de perseguições políticas, desigualdades sociais, censura de imprensa e de liberdade de expressão. Para isto basta compararmos a produção cultural e musical no Brasil durante o período de ditadura militar pós golpe de 1964. O recrudescimento do Estado nacional, assim como a perda dos direitos civis de liberdade e de expressão, deram todo um ambiente propício para os intelectuais se esforçarem em metaforizações poéticas em busca de um discurso que enaltecesse a liberdade em meio a um silêncio forçado à bala. Poderia também citar o caso norte americano que durante o período da escravatura fez dos negros forçosamente migrados emanar o blues, um canto que expressa a saudade por suas terras e famílias para trás deixadas. O funk, o soul music, o próprio jazz que nasceram em um contexto político conturbado, de lutas pelos direitos civis e de igualdade entre brancos e negros, assim como o rap e o hip hop que durante os períodos de embates político-sociais tratavam de temas direcionados ao campo social hoje tratam de temas que se dispõe a demonstração de poder de barganha do capital social, de negros musculosos ostentando grandes correntes de ouro em carros importados. Ainda poderia citar vários outros exemplos como o fado português e o flamenco espanhol. Mas seria um crime determinista e fatalista querer reduzir todo um contexto que se fez pertinente para a aparição de todos os artistas, assim como toda sua produção musical, que fizeram parte da história da música brasileira durante o período ditatorial a um mero processo de recrudescimento do Estado. Tampouco quis Nietzsche afirmar que seria uma saída ao afundamento cultural e musical de nossos tempos, por exemplo, um golpe de estado ou um processo de retaliação das liberdades de expressão. O autor chama atenção para o fato de que com a igualdade entre os homens e consequentemente a amenização das lutas de classe e de conflitos sociais e políticos, os homens perderiam grande parte de suas potencialidades criativas, pois estariam fadados em um mar social de calmaria. O que para Marx seria um êxtase utópico com sua ideia de uma sociedade comunista e igualitária, onde a história teria seu fim, pois se findariam as lutas entre as classes sociais e as disputas políticas e econômicas que, ao seu entender seriam o motor da história, para Nietzsche seria uma problemática de descapacitação das forças críticas e criativas culturais. O que com isto quero chamar a atenção e ao mesmo tempo enriquecer este texto é o fato de percebermos que historicamente, e digo desde uma perspectiva cronológia de nosso fazer musical, fato é que quanto mais se estabeleceram relações sociais entre os seres humanos de igualdade e de liberdades individuais e de expressão, menor é a tentativa, pois não há mais por que, de se construir linguagens culturais musicais mais elaboradas. Seria ocorrer em erro afirmar ou reduzir o contexto do aparecimento e proliferação de tais grupos ao processo de democratização em nosso país. Longe disso. Mas será pertinente afirmar que com o advento da democracia em nosso país juntamente vieram concepções ideológicas, estruturas de mercado liberal, indústria cultural todas tipo exportação provenientes de além-mar. Juntamente com o processo de democratização ao nosso país veio todo um arcabouço ideológico, político e econômico constitutivo da plastificação cultural sob o disfarce da indústria de massa, dos ‘fast- foods’, do consumismo por consumir sob o estandarte do progresso linear e infinito. Tudo é racionalizado ao ponto de tornar-se irracional, uma camisa de força, ou a ‘iron cage’ enunciada por Weber, que prende os indivíduos em uma sistematização da vida e do cotidiano. A indústria cultural nos chega às portas da anunciação de uma democracia e de liberdade para todos, onde até mesmo o nosso lazer está fadado a esta sistematização racionalizada, como disseram brilhantemente Adorno e Horkheimer, praticada pelas grandes indústrias fonográficas que nos deixam os ouvidos à mercê de simplificações harmônicas e melódicas abusivas e de letras de canções que buscam mais a manutenção funesta do status quo e do mal gosto de cantoras e cantores que disputam o troféu da falta de musicalidade. A perda de sentido da vida em nossa sociedade se torna evidente quando nos deparamos com canções que abusam da vulgarização tanto da imagem do homem quanto da mulher, uma evidente demonstração da pertinência do conceito de reificação proposto por Marx, quando percebemos a alusão a seres humanos transformados em objetos de consumo sexual momentâneo, um beijar na boca por beijar, ficar por ficar, uma transa e nada mais, encher um caminhão de mulheres, etc. As pessoas aqui são transfiguradas em seres irracionais que saem de suas casas para as festas para a pura barbárie carnal, uma disputa de homens (vagabundos) para ver quem “pega” mais mulheres (piriguetes). Mulheres que ficam em casa esquentando a cama para quando o marido chegar do cabaré, ou dos bares, fazer um amor gostoso, pois “ você não vale nada mais eu gosto de você”.

Triunfo da perda de sentido ou da incapacidade crítica?
Quando se fala de cultura de massa sempre, ou quase sempre nos remetemos ou pensamos em grupos sociais de baixa escolaridade e pertencentes a classes sociais mais abastadas. Mas se formos investir um olhar mais pronunciado ao fenômeno da plastificação cultural teremos que estabelecer uma correlação entre o que a indústria produz e quem consome tais produtos. Quem afinal são os que pagam ingressos caros e lotam os shows dos grupos de forró de plástico? Quem afinal ajuda a financiar as festas de derrubadas de boi, vaquejadas, micaretas fora de época com a compra de abadás que chegam a custar seicentos reais cada um? A indústria só sobrevive graças a uma classe média e alta que possui recursos para alimentá-la, onde tais classes pressupõem-se, possuem um nível de escolaridade e de condições materiais de existência bem superiores aos das classes mais abastadas. Ou seja, nestes termos falar de cultura de massa é falar também de cultura de classe média-alta.
Existe uma correlação dialética entre a perda de sentido e a falta de compromisso crítico por parte dos que engendram a cultura de plástico, financiando-a, consumindo-a como refúgio construído pelos dinamismos de políticas ideológicas das formas liberais e democráticas de governar a sociedade sob a égide da liberdade individual e do triunfo do livre pensar. Fomos engaiolados por uma ultra-racionalização do cotidiano, uma ultra-industrialização de nossas vidas, uma mecanização de nossas práticas sociais ao ponto de sermos levados conscientemente, mas que beira o inconsciente no que concerne a um condicionamento fatalista e quase irrefutável de uma verdade quase absoluta do discurso da liberdade para todos, onde a perda de sentido do cotidiano arrasta as pessoas nos fins de semana a antros embevecidos a muito álcool e músicas de baixo calão que enaltecem a “putaria”, o “vamos beber e curtir a vida”, o “deixa os problemas pra lá e vamos curtir”. O domínio do tempo livre serve como salvaguarda de continuidade da extorção causada pela vida cotidiana, assim como expressou Horkheimer. Adorno destaca a erotização como forte apelo promovido pela indústria sedenta de vendas. Torsos desnudos e bem delineados, seios à mostra, juntamente com órgãos genitais femininos quase a mercê dos ventos, provocam uma sensação de redenção de como estar no paraíso dos prazeres proibidos, porém liberados. O niilismo deve ser entendido aqui no sentido mais pejorativo possível, pois existe em Nietzsche um sentido positivo do pensar e agir niilista quando refuta todo um pensar filosófico anterior a sua época, negando as construções metafísicas de uma moral judaico-cristã que exasperam o ser humano enquanto humano no desejo de elevá-lo até um significado que o deleite em um propósito de verdade compreensível em um valor essencial superior. Utilizo o conceito de niilismo em seu sentido negativo, ou seja, toda espécie de negação de todas as bases de nossa existência, a negação de todo princípio ético que leve a negligência e a autodestruição. A perda de sentido e a negação da vida, no sentido de um agir e um pensar político, de um reflexionar sobre as condições sociais que nos cobram caro preço na corrupção, violência urbana, pobreza, tornam-se uma espécie de arma contra a horrível imagem de uma realidade que nos escapa e a qual devemos negá-la. A iron cage weberiana exerce seu papel de maneira brilhante, arrastando-nos para o abismo da incapacidade crítica da realidade, e neste sentido só existe triunfo da cultura plástica enquanto paliativo de uma realidade enferma porque existe sim uma incapacidade de se criticá-la. A manta só encobre aquilo que não queremos ver, pois se quiséssemos não haveria manta, não haveria o que encobrir porque seríamos conscientes que ao encobrí-la nos sairia socialmente caro. Niilismo negativo, perda de sentido e consequentemente incapacidade crítica caminham juntas em um mar de usurpações de consciências onde estas, dialeticamente, engendram esse mar como os ventos que constróem as ondas cada vez maiores. Não existe um ponto de determinação, tudo parte de uma interrelação dialética onde os reflexos e os espelhos se confundem eternamente.

O Forró de Plástico e a Apologia ao Álcool Desejo pensar e compreender onde se encontram os mesmos juristas, advogados, delegados que prenderam e impediram o grupo Planet Hemp de atuarem em muitos de seus shows pela argumentação de que estes faziam apologia ao uso da substância cannabis sativa. Que estão desempenhando seus papéis de guardiões da ordem e da moral social disso não tenho dúvida, tampouco é minha intenção discuti-la neste artigo. Meu questionamento se dirige ao fato de que existe um grau de subjetivação na interpretação do conceito de apologia. Se ao dizer “eu canto assim porque eu fumo maconha” não encontro a mesma apologia do que na frase “vamos simbora prum bar beber, cair e levantar” . A diferença é gritante. Na primeira eu digo que eu canto desta maneira porque faço uso de tal substância, na segunda eu convido os demais para virem comigo para um bar para que bebamos até cairmos no chão. Ora, na primeira eu digo quem sou porque faço isto ou aquilo, na segunda há claramente uma incitação brutal e grotesca ao uso abusivo da substância álcool. Então creio que o conceito apologia, no sentido jurídico, deva estar subjugado a uma estrutura de mercado das corporações e indústrias que produzem e distribuem bebidas alcóolicas, senão não faria sentido não proibir ou inibir tamanho descaso com a sociedade. Se apologia remete a defesa de discursos ideológicos que propaguem uma ação, e digo ação em todos os sentidos dos fazeres sociais, ou inação que esteja sob controvérsia, o que dizer de um discurso que difunde o uso abusivo de álcool em um país onde morrem cerca de quarenta mil pessoas por ano vítimas de acidentes de trânsito, e onde em grande parte estes acidentes se encontram relacionados com o uso de bebidas alcoolicas? Isto é ou não apologia? Onde estão os mesmo que proibiram e prederam os membros do grupo Planet Hemp no sentido de aplicarem as devidas providências em relação ao incentivo ao consumo abusivo de álccol? Apologia ao consumo de álcool é crime ou é apenas uma inocente manifestação cultural? No código penal, artigo 287, Dos Crimes Contra a Paz Pública, Título IX, apologia aparece como crime à saúde pública. A apologia ao uso de drogas, lícitas ou ilícitas, se caracteriza por apologia ao crime, onde a legislação prevê a mesma pena, tanto para quem trafica quanto para quem exalta ou colabora com a prática delituosa, neste caso a apologia. Mas como sempre a lei sofre por interpretações subjetivas. Não seriam as propagandas de cerveja apologia ao consumo de bebidas? Lindas mulheres e homens de corpos esculturais bebendo em uma praia paradisíaca nos fazem lembrar as antigas propagandas de cigarros dos anos 50 e 60, onde mulheres poderosas e rebeldes, e homens másculos e sensuais espeliam a fumaça da afirmação social. Claro está que existe uma enorme diferença interpretativa quando se afirma utilizar uma substância lícita e outra ilícita, porém um chamamento em alto e bom som ao consumo de álcool até a fatalidade de uma queda ao solo só não se configura como sendo apologia aos mais inóspitos de consciência. Beber, cair e levantar tornou-se uma prática comum em nosso país, e agora mais ainda um exemplo de educação cultural para toda uma nova geração. De que adiantam campanhas publicitárias milhonárias promovidas pelos governos se dentro de nossas próprias casas, nas esquinas, nas festas, nos toques dos celulares mais modernos a ordem é beber, cair e levantar, como uma inofensiva brincadeira de final de semana. Não percebo em momento algum qualquer manifestação enfática às políticas que controlem tamanha babárie apologética. Que existem discursos que são pronunciados em alto e bom som, nos paredões sonoros de automóveis e das casas de espetáculo o consumo abusivo de álcool, disto não há sombra de dúvida, e que este fenômeno social nos traz e nos trairão problemas sociais disto também não tenho dúvidas, o que me aflinge é a abstenção enfática de nossas autoridades enquanto desenvolvimento de políticas que venham a controlar, ou filtrar determinados discursos. Não estou caindo em um retorno à censura, ou a um controle estatal das manifestações culturais, mas devemos estar cientes que a liberdade que tanto nos custou consegui-la caiu no colo de uma nova geração que não possui memória por culpa de um sistema educacional falido e de uma sociedade que faz questão de apagar da memória nacional os anos de chumbo, e que esta liberdade está sendo atirada ao lixo como uma provocação a nós mesmos pela falta de conscientização e de memória política.

Considerações Finais

A ultra-racionalização e a burocratização da vida cotidiana trazidas por jornadas de trabalho cada vez mais avassaladoras, uma busca incessante por progresso e crescimento econômico, a sistematização de nossas relações sociais e de nossos momentos de ócio são alguns dos fatores que trouxeram essa perda de sentido, consequentemente um pensar e agir niilista negativista da vida mecanizada. A falta de memória política e de uma educação, não apenas no âmbito das ciências exatas, como também nas ciências humanas, nas artes, música e literatura, alimentam o sentido de liberdade democrática para a nova geração que é o de “fazer o que me der na telha”, pois estes não possuem a consciência política, a noção do tamanho da importância que foi o processo de democratização em nosso país. A liberdade de expressão musical se confunde com a pornografia, apologia, práticas machistas e sexo casual e banal. O poder de se expressar livremente se tornou uma arma nas mãos consumistas da indústria de massa e da apoteose de imagens feiticistas. O niilismo sem sentido causa e está causando males em toda uma nova geração que se perderá em bares caindo e levantando-se, quando possível, pois álcool mata.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS HORKHEIMER, M. & ADORNO, T. A Indústria Cultural. Iluminismo Como Mistificação de Massas. In, Dialética do Iluminismo, Sudamericana. Buenos Aires. 1988. NIETZSCHE, F. Assim Falava Zaratustra. Clássicos de Bolso, Rio de Janeiro. EDIOURO S.A., 1999.

NIETZSCHE, F. Os Pensadores, Obras Incompletas, Vol 1 e 2. São Paulo: Nova Cultura, 1991.

RAYMOND, A. As Etapas do Pensamento Sociológico. 5º Ed. São Paulo, Martins Fontes, 1999.

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