'Prós e contras' de 28-02-2011: uma vergonha (sobre a geração à rasca e 'Parva que sou' dos Deolinda)

Retrato de Nuno Nabais
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O que se passou no «Prós e contras» de 28 de Fevereiro foi uma vergonha, uma farsa, um perfeito cenário dantesco no que diz respeito aos jovens. Mas se pensam que nos calam, pois bem podem retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica. Conto com todos vocês para a batalha que se esta a preparar. Porque tagarelar é fácil, o busílis é elaborar correctamente um pensamento.

Pergunto-me se um país dito democrático e, sobretudo, num país onde são bradados os pilares da democracia, o porquê de se ter feito um programa sobre um tema volátil que era a juventude sem um único representante no painel dos jovens de Portugal? Onde estava o ministro, o secretário de estado, o IPJ ou outros órgãos de decisão nacional? É muito giro e deveras fica bem em televisão falar de números de fantasia. Mas brincamos à politica? Brincamos com coisas sérias? Aqui eu acredito que só vai deglutir o batráquio quem quer.

Então realiza-se um debate previamente construído num canal de serviço publico pago pelo contribuinte sem sequer dar voz a quem de direito? Um dramaturgo, uma jornalista, um representante de uma empresa, entre outros, é para a direcção de programas os representantes dos jovens. Ou pior, em última analise as pessoas que podem ajudar a resolver a problemática dos jovens nesta sociedade criada ela sim, não por uma geração rasca ou com outro cognome qualquer, mas sim pela malícia, a corrupção, e sobretudo os desgovernos total e radical para com o cidadão dos órgãos de decisão deste país.

Então mas temos uma entidade chamada CNJ «Conselho Nacional da Juventude» para quê ? Uma ministra da educação, um ministro do ensino superior e secretários de estado para dar e vender para quê? Então essas identidades não deveriam estar presentes e em caso de recusa agendar outra data? Onde estiverem eles? Talvez, e isto é um “suponhamos”, tiveram de colocar o prolongamento caudal no meio dos membros inferiores.

Então temos um programa de debate sobre uma temática e não se chama os responsáveis pelo estado caótico ou os que de facto podem resolver o problema? O dramaturgo estava a jogar em casa, pois este país no que respeita aos jovens é uma ficção. Jornalista tendencioso este, pois além de a reportagem ter passado uma mensagem de manifestação com algumas partes ao léu dos estudantes, essa mesma reportagem tem de ser imparcial. Sendo assim, deveria ter também focado o problema fundamental que era as propinas,, ou seja o porquê dessa manifestação, terem tentado demover a imagem que fica associada ao protesto e incutir no espectador o porquê do efeito causa daquela atitude.

A génese da questão: uma vez mais usou-se os jovens para share na televisão. Mas isso, com todo o respeito que o faça um qualquer canal da televisão, não um que é sustentado pelo contribuinte. Porque o que se passou naquele programa não foi debater nada de relevante. Falou-se, falou-se, mas o resultado prático do programa foi nulo ou quase nulo. Que soluções foram apresentadas ali? Que ideias foram debatidas? Aliás, ao olhar para o que se passou ali, analisando algumas soluções, a Universidade que aquele ilustre Doutor representava “na existência da existência de precariedade“ tem 100% de empregabilidade. Meu Deus: se for verdade, é única no mundo com essa dimensão.

E a Cervejaria, na sua maioria estágios remunerados, e até parece que aquele indevido recebe e analisa pessoalmente os estagiários, pois via-se pela fluidez do seu léxico verbal, que estava perfeitamente dentro do assunto que estávamos a debater. Tagarelar é fácil, o busílis é elaborar correctamente um pensamento.

Como jovem, sinto me indignado pelo debate de ontem que nada mais foi do que politizar algumas questões, e de certa maneira orientar uma opinião publica por si só já volátil em relação aos jovens. Acredito numa velha máxima do direito que qualquer pessoa é pressuposta inocente até se provar o contrário. Mas como alguém um dia escreveu “não há coincidências”. Estaremos numa direcção encomendada do programa, num caminho previamente decidido por uns em detrimento da liberdade ou que seja esta uma infeliz particularidade do tão dispendioso serviço público da RTP?

Proponho um debate sério, proponho que nos respeitem, que nos olhem nos olhos: não como uma corja, mas sim como verdadeiramente o futuro deste país. Que se sentem com os nossos líderes representantes e se debata sem medos, sem visões românticas barrocas da questão, mas sim com seriedade, objectividade, e sobretudo com clareza e soluções.

Se os Deolinda escreveram uma canção que retrata um pouco do sentimento geral, já outros no passado o fizeram. A questão aqui é fundamentalmente querer resolver o problema dos jovens, e só o vamos conseguir se nos unirmos, se nos manifestarmos num caminho que nos possa levar não a uma encruzilhada, mas sim a uma avenida repleta de soluções. Não é utopia, é algo que se consegue almejar. Mas a vontade não tem de ser só nossa pois não se trata de dizer basta, trata-se de nós jovens estarmos a dizer “estamos aqui, queremos resolver” e de os órgão de decisão deste país, esses sim, estarem a dizer “basta”.

Basta de nos chatearem. Basta de vos aturar. Basta sequer de vos ver. E, sobretudo, basta de existirem.

A Educação e a Escola; O Trabalho, o Emprego, a Profissão; Os Jovens e o Futuro: Expectativas e Aspirações; Usos do Tempo e Espaços de Lazer; A Convivialidade e a Relação com os Outros; Dinheiro e Bens Materiais; A Identidade Nacional e Social dos Jovens.

Estes e outros problemas foram debatidos no dia 28 de Fevereiro? Não vamos compactuar mais com uns minutos de televisão já previamente combinados e construídos numa direcção que em nada nos favorece. Não são manifestações que resolvem o problema mas também não é o não fazer nada. Não são discursos políticos ou menos políticos que nos vão ajudar. Não nos vamos acovardar, ou sequer considerar a possibilidade de fêmea bovina expirar forte contracções laringo-bucais para os menos “atentos”. Nem que a vaca tussa.

Portanto, para a direcção de programas da RTP, sem malícia e com toda a irreverência académica sugiro veementemente a Vossas Excelências que procurem receber contribuições inusitadas na cavidade rectal. O Homem começou a ser falso, usa artimanhas, corrompe, falsifica, burla, manipula os mais fracos (que quanto a mim não são fracos, mas sim talvez demasiado humildes) faz tudo para que possa ser melhor e mais rico que o próximo. Vivemos num mundo completamente desmesurado, onde existe uma enorme distancia entre riqueza e pobreza, ao qual nem chego a perceber o porque de tal, quando o próprio dinheiro é fabricado pelo Homem.

Mas na mente humana o que importa é fazer da vida um complexo jogo de sobrevivência. Nunca compreenderemos se está na nossa natureza viver deste modo assim, ou se haveria alguma outra alternativa. O que nao se admite é haver gente a ganhar rios de dinheiro e alguns nem tão pouco contribuem directamente para a evolução do pais, e pessoas que trabalham diariamente, praticamente vivem uma vida inteira a trabalhar, privam-se dos seus hobbies, das suas famílias, para receberem uma mísera que mal dá para sobreviver… E nós jovens que vamos fazer?

Nuno Nabais,

Presidente da direcção da associação Académica da Universidade Autónoma de Lisboa Estudante do ensino superior Jovem Português

Opinião de

Nuno Nabais

É presidente da Associação Académica da Universidade Autónoma de Lisboa

É, também, vice-presidente da Associação Académica de Lisboa (AAL), vice-presidente da FNESPEC (Federação Nacional Ensino Superior Privado e Cooperativo) e presidente de mesa da PABE (Portuguese Agency for Biotechnology in Europe).

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