Audax: Deus quer, o estudante sonha, a empresa nasce

Empreendedorismo e empresas familiares

É mais acessível do que parece. Uma boa ideia, o aconselhamento adequado e muita força de vontade. Num mercado cada vez mais competitivo, esta parece ser a fórmula de sucesso para muitas iniciativas empresariais lançadas por estudantes do Ensino Superior. Quem o diz é Ana Fonseca, do Audax, um centro de investigação e apoio ao empreendedorismo e empresas familiares, dirigido por Rui Ferreira.

Fundado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, esta associação sem fins lucrativos, dinamizada por docentes, tem como objectivo «promover a constituição de veículos de investimento para suportar o arranque de projectos empresariais de origem universitária». Animação digital, vestuário urbano, contentores amovíveis, design industrial, actividades marítimo-turísticas, distribuição cinematográfica, serviços de outsourcing comercial, tratamento de resíduos, brinquedos científicos e responsabilidade social são alguns exemplos de empresas criadas com o apoio do Audax (ver caixa). Os três principais ramos de actuação são a formação, a consultoria e a organização de eventos.

O processo é simples. «Qualquer pessoa que queira montar uma empresa pode contar com o nosso apoio», esclarece Ana Fonseca. À sua espera terá uma vasta gama de serviços, que passam por cursos de especialização, protocolos, parcerias, trabalhos de investigação ou estratégias de investimento. A nível prático, isso traduz-se em auxílio na elaboração de planos de negócio para start-up e projectos de expansão de empresas; na negociação de fontes de financiamento, nomeadamente através de fundos de capital de risco; na angariação de investidores e parceiros de negócios; e na assessoria nos domínios da estratégia, tecnologia, gestão geral, marketing e controlo de gestão.

Conselhos úteis

Para se criar uma empresa com sucesso, o primeiro passo é ter uma boa ideia, garante Ana Fonseca. Mas não se trata de uma inspiração divina, ou sobre-humana. Apenas de um projecto inovador. «Normalmente associa-se inovação às tecnologias de ponta. Mas inovar é ser diferente, quer no produto que se oferece, quer no processo que se utiliza. Um pormenor pode ser suficiente», esclarece a responsável. Só a partir desta base é possível perceber se a empresa é viável ou não. Estudar a concorrência, nesse sentido, é «fundamental». O passo seguinte é elaborar um plano de negócios, o instrumento de gestão que indicará o que fazer, como e onde investir.

Não sendo tarefa simples, criar uma empresa num mercado tão competitivo como o actual requer alguns traços de personalidade bem vincados. «Há vários estudos que indicam que a resiliência é o aspecto mais importante», explica Ana Fonseca. «Não é ser teimoso. É ser persistente, não desistir à primeira, algo que acontece com muita frequência». É preciso acreditar que se vai conseguir. «Até porque nunca ninguém disse que ser empreendedor é fácil. Pelo contrário, é difícil, mas no fim é-se sempre compensado».

A formação é a aposta mais segura. «Para estar preparada para o desafio, uma pessoa tem de ter as ferramentas necessárias para poder desenvolver o seu negócio». Dinâmicas de motivação, identificação de dificuldades e estratégias para as ultrapassar são alguns dos aspectos abordados no Programa de Especialização em Empreendedorismo e Criação de Empresa, promovido pelo Audax e que se tem revelado imprescindível para o esclarecimento de estudantes e novos empresários. Aí também se aprende a dinamizar colaborações para suportar cada projecto. «Hoje em dia não se faz nada sem uma rede de parcerias», sublinha. «O próprio Audax é o resultado do esforço conjunto de várias entidades e de 139 associados».

Acima de tudo, é urgente desmistificar o insucesso. «Ao contrário de Portugal, em outros países, como nos EUA, um pessoa não é mal vista por ter tentado criar a sua empresa durante alguns anos e por ter falhado», adianta. «Temos de mudar a nossa mentalidade e valorizar aqueles que arriscam». Sobretudo em tempos de crise, que devem ser entendidos como oportunidades de mudança. E se não há fórmulas para o sucesso, é possível, segundo Ana Fonseca, identificar uma característica comum a cada empreendedor: «Ser audaz». Não ter medo de arriscar.

Três exemplos de empreendedorismo

Transferência de Peso
www.transferenciadepeso.com

O programa Transferência de Peso é uma marca de responsabilidade social que se baseia no princípio da transferência entre aqueles que sofrem dos excessos provocados pela sociedade da abundância (obesidade, doenças do foro cardiovascular) e aqueles que não têm as suas necessidades básicas satisfeitas (pobreza, fome, subnutrição). Esta transferência consiste numa «balança planetária» que converte em termos monetários o excesso de peso dos indivíduos aderentes nos países desenvolvidos e o transfere, através de uma ONG, para as populações mais desfavorecidas dos países em vias de desenvolvimento.

Science 4 you
www.science4you.pt

A Science 4 you é um empresa vocacionada para a divulgação da ciência de uma forma lúdica. Tem como missão sensibilizar as crianças e a comunidade para as questões das ciências experimentais no seu quotidiano. A sua oferta centra-se na concepção e comercialização de brinquedos científicos (nas áreas da Física, Química, Energias Renováveis e Meteorologia) e na dinamização de acções de formação (no Verão e no Natal). Os brinquedos, que são vistos como um complemento da aprendizagem e desenvolvimento intelectual dos jovens, podem ser adquirido nas lojas da especialidade e no site da empresa.

Atlanti.co
www.atlanti.co.pt

Introduziu um conceito inovador em Portugal, através da comercialização de peixe fresco em cuvetes, previamente amanhado e limpo, conservado em atmosfera protectora, facilitando assim a compra e a confecção de peixe ao consumidor. Tem como missão a valorização dos recursos naturais, para melhor aproveitamento, conservação, frescura e um padrão de qualidade constante que permite ao consumidor apreciar o bom peixe com a preservação máxima do seu valor nutricional; e promover saúde e conveniência, indo ao encontro dos hábitos alimentares e culturais do consumidor moderno e actual, cada vez com menos tempo para praticar uma alimentação saudável.

Comentários

Publicar novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
  • É possível usar **negrito**, *itálico*, criar alíneas com a) b), numeração com 1) 2) e outras opções. Para separar os parágrafos é necessário criar uma linha de intervalo (ou iniciar o novo parágrafo com um espaço em branco).
  • É possível inserir imagens.

Mais informação sobre as opções de formatação

CAPTCHA
Este teste serve para impedir a publicação automática de lixo.
1 + 2 =
Introduz o resultado da conta (ex.: se for 1+3, introduz 4).