Faltam mulheres para competir (desporto feminino)

No desporto de lazer, as mulheres já suplantam os homens em algumas universidades, mas perdem claramente na vertente competitiva. No entanto, as equipas femininas têm vindo a aumentar

No ano lectivo de 2007/08, mais de 53 por cento das vagas no ensino superior em Portugal foram ocupadas pelo sexo feminino. Este domínio já não é novo, mas levou a revista Aula Magna a colocar a seguinte questão: será que esta proporção se mantém no desporto universitário? As perguntas levaram-nos a duas realidades distintas: na vertente competitiva, o domínio é fortemente masculino; na vertente de lazer, o número de mulheres suplanta, muitas vezes, o dos homens. «O fenómeno desportivo universitário está muito concentrado nos homens. De acordo com dados de 2007/08, a proporção de mulheres é de cerca de 30 por cento», revela André Couto, presidente da Federação Académica do Desporto Universitário, que não possui indicadores relativamente à prática recreativa. De acordo com o dirigente, a diferença é mais gritante nas modalidades individuais, mas «há um crescimento grande em termos de equipas femininas». No entanto, tal não é suficiente para criar um campeonato universitário de futebol ou de hóquei em patins. «Vamos tentar lançar este ano um torneio de râguebi feminino», adiantou.

A adesão ao desporto sem fins competitivos depende muito das condições oferecidas. A Universidade de Lisboa (UL) tem ao dispor dos estudantes a Academia ULness, um espaço com 2 salas desportivas, no Campo Grande. De acordo com Duarte Lopes, responsável pelo departamento de Desporto da UL, as inscritas representam 70 a 75 por cento. O mesmo acontece na Universidade de Aveiro (UA), onde há várias modalidades de academia disponíveis. No Instituto Politécnico do Porto (IPP), o número de praticantes em recreação é inflacionado pela importância do futsal, esmagadoramente praticado por homens. Porém, na vertente competitiva, o IPP tem equipas de basquetebol e andebol feminino, dois dos desportos mais populares entre as estudantes portuguesas, e uma equipa de hóquei em patins mista.

Equilíbrio no centro da Europa

«A realidade das universidades no centro da Europa não é esta, aí a diferença entre sexos quase que não se verifica», salienta Augusto Paulo, coordenador do gabinete de desporto da Associação Académica da UA. Em Aveiro, a disparidade entre sexos levou mesmo a medidas para «chamar alunas à competição»: «Criámos uma liga interna de futsal, por cursos, e este ano já temos 15 equipas», destaca o técnico desportivo. No entanto, o material de corfebol (uma modalidade que exige equipas mistas, com quatro homens e quatro mulheres) está armazenado à espera de interessadas. Na opinião de André Couto, a baixa participação feminina na competição desportiva universitária está relacionada com o facto de haver poucas mulheres «profissionais do desporto e dirigentes associativas». «Na FADU, em 15 dirigentes, só há duas raparigas», nota. Para Duarte Lopes, a qualidade das instalações desportivas pode ser um factor determinante: «As pessoas são mais exigentes do que há 20 anos. Para um homem, pode bastar a motivação de praticar desporto com amigos, e não importa se o balneário está frio. Para as mulheres, não é tanto assim».

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